Marcha sobre Washington e mesmo após os 57 anos do discurso de Martin Luther King a sociedade permanece presa no "Colonialismo".

Quem não lembra da morte de George Floyd? Solícito na abordagem policial, morreu imotivadamente asfixiado por um policial branco, sem sequer ter a chance de gritar a sua dor para o Mundo. Defender-se fazendo uso das palavras. E não de uma ARMA.

Jacob Blake, abordado com rijo por um policial branco e covardemente baleado com SETE TIROS nas costas a queima roupa. Conseguiu sobreviver. Entretanto, permaneceu algemado à cama do hospital e foi necessário uma denúncia do pai para que os policias retirassem a algema. Carregará consigo a marca da perfuração do projétil e uma vida atípica na cadeira de rodas.

E o caso Brasileiro do músico Evaldo Rosa dos Santos, morto após ter o seu carro fuzilado por OITENTA TIROS em uma desastrosa "operação" do EXÉRCITO BRASILEIRO. Dilacerou com fundura uma família, encerrou um ciclo, sonhos e uma vida. Uma dor perenal.

Apenas TRÊS dentre vários casos que acontecem diariamente nas escolas, universidades, trabalho e abordagem. A prática dessa barbarez chamada Racismo dispensa lugar e hora. É inerente ao instinto animalesco e insensível de alguns seres humano (?).

Contudo, o que permanece de forma ávida é o zumbido do tiro, barulho da cápsula do projetil caindo no chão, o grito de dor e a fala altiva do preconceito que ecoam em nossos ouvidos fazendo com que a incidência do sentimento de culpa seja contumaz em nossas vidas.

Uma culpa secular oriunda da tolerância. Do nosso silêncio diante o açular da discriminação. Da nossa suspicácia inércia em não se fazer presente nesta luta.

Não podemos alimentar essa "colonialista" e despicienda diferenciação. Coadunar para a perenidade desta atitude apenas demonstra a irracionalidade do ser humano em viver preso ao passado e alienado no tempo. Não há progresso pensante racional e civilizado, e sim, um grotesco retroagir à época da ignorância primitiva. 

Enquanto não delinearmos uma reação conjunta, engajada em extirpar esse câncer social, continuaremos sendo partícipe indiretamente de um país no qual a justiça tem classe e tem cor.

Partícipe dos detentores da justiça, do poder de proteger, que confundem furadeira com pistola, guarda-chuva com metralhadora. Mas confundir branco com negro, jamais!

Relacionado a confusão entre ferramenta e arma, vem a bala perdida que no Brasil inexiste. As balas no Brasil têm uma trajetória só: vêm de cima para baixo; de rico para pobre, de branco para preto, de homem para mulher, de madeireiro para indígena, de fazendeiro para sem-terra, de hétero para lgbt. Toda bala tem endereço, porque o genocídio é política de Estado desde antes de existir Estado no Brasil.

Com efeito, não podemos naturalizar a ação do Estado de extermínio da população negra e periférica disfarçada de política de segurança pública. 

Por fim, sugiro, caso você ainda se mantenha preso ao passado, achando que é "escravocrata", não permanecer inerte e silente só porque a cor da sua pele é branca. Pois a carnificina mantém-se em razão da existência e quando a carne acabar...

"Vistam a carne mais barata do mercado como sua própria. Sangrem conosco ou sangrem depois de nós. Só não pensem que vocês não entrarão na mira quando nossa fonte de sangue secar."

Vidas pretas importam.

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