Racismo: Quem deu direitos para suprimir direitos?


Uma década funesta. Inexiste definição melhor para 2020. Um decênio que começou com ludíbrios de líderes mundiais quanto a realidade pandêmica que nos aflige atualmente. Embustes de uma política mundial pérfida que vem ceifando vidas mundo afora de forma célere e assustadora.


Entretanto, atentando-se para o passado, veremos que toda década tem suas laivas, algumas marcadas de sangue cujo viés é religioso ou político e outras marcadas pelas lutas ferezas de movimentos contra desigualdades sociais etc.


Neste prisma, é assertivo pontuar que o COVID-19 é o grande marco deste início de decênio. Porém, como a história nos diz que décadas são marcadas por atos notórios de despiciendos grupos que insistem em deixar seus variados “feitos” horríficos registrados.


Destarte, como se não bastasse a incidência do letal COVID-19 neste decênio, infelizmente, um ato praticado por um policial americano que acarretou a morte de um negro americano aflorou movimentos negros mundo afora e que trouxe à voga algo profundamente asqueroso e intolerável: o RACISMO.


De forma breve no que cinge a história, o racismo foi motivado por projetos políticos. No ato de estabelecer uma hierarquia entre os diferentes grupos étnicos justificou-se a discriminação ou segregação daqueles tidos como inferiores, consistindo em uma arma ideológica para políticas imperialistas.


Essa política imperialista permanece ávida até hoje e se materializa como aversão, ódio, desprezo e consequentemente o não reconhecimento da humanidade, sobretudo, de pessoas cujo pertencimento racial se distancia da matriz branca europeia.


No entendimento ignóbil dos membros dos movimentos racistas os negros possuem características como, além da cor da pele, inferioridade moral, intelectual, cultural e psíquica.


No tocante a cor da pele, chega-se a estabelecer uma gradação de acordo com a tonalidade de pele: quanto mais escura, quanto mais distante de um ideal de “braquitude”, maior a intensidade da discriminação.


Movente por esta “gradação” muitos negros e negras tentam se aproximar do “ideal branco” (pele clara, cabelo liso, olhos claros, nariz afilado) com o objetivo de ser aceito e desejado na sociedade.


Apenas para mostrar o quão insanas e doentias são essas pessoas racistas, nos EUA, até a primeira metade do século XX, ainda que possuísse a pele e olhos claros, uma pessoa seria considerada negra se tivesse algum ascendente negro. Ou seja, o critério para definir se alguém era considerado negro não era a cor da pele, mas sim a ascendência, a presença de “sangue negro”.


Ademais, o Racismo em nosso país é caracterizado de forma individualizada ou institucionalizada e tem contribuído para manutenência das desigualdades raciais.


É individualizado quando diz respeito a ações de indivíduos. Não traz maiores problemas na identificação de seus autores e, na maioria das vezes, é alvo forte de reprovação por parte da sociedade “racional”.


Por outro lado, o institucionalizado atua de forma mais sutil, sendo fruto da ação ou omissão de instituições como por exemplo, as forças policiais ou o judiciário. Em relação ao individualizado, é mais difícil de ser reconhecido como racismo e por essa razão é menos condenado pela opinião pública.


Sendo assim, o racismo não se manifesta tão somente no âmbito privado, mas também por meio de instituições, do Estado, inspirando e se materializando em políticas públicas ineficientes, dispensando ao negro um tratamento de “pobre coitado”.

Isso se reflete de forma expressa por meio da indisponibilidade ou acesso reduzido a políticas de qualidade, no menor acesso à informação, na menor participação e controle social e na escassez de recursos.


Insta mencionar outro ponto de contraste entre o racismo individual e o institucional, é que este pode ocorrer, inclusive, à revelia dos indivíduos. A simples existência do racismo institucional não significa que todo individuo, de forma consciente, oprime um determinado grupo, mas sim que as práticas discriminatórias são mantidas pela estrutura do poder existente.


Em síntese, à título de exemplo, em nosso país o racismo institucional se dá nitidamente em relação às políticas de segurança pública e a população negra. De acordo com o IPEA, em 2016, a taxa de homicídios de negros foi duas vezes e meia maior do que a de não negros.


Por fim, não podemos olvidar desta triste realidade mundial que é vista diariamente nas ruas, nos jornais, telejornais, redes sociais, filmes, novelas que aparam a condição dos negros quando comparados aos brancos, sendo assertivo em asseverar que esta etnia são maioria na exploração no trabalho infantil, entre as pessoas desempregadas ou subempregadas, entre os analfabetos funcionais ou não e em relação a classe social, o negro também é maioria entre os mais pobres.






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