Sobre o dia Nacional do Deficiente Físico. Avanços e atrasos, o equilíbrio de um pêndulo prejudicial a Democracia.

Sobre a deficiência física, este assunto não advém de ontem. Advém de séculos, sendo mais específico à antiguidade. É possível ver relatos na Bíblia e em literaturas da época.

Sabe-se que, em Esparta, crianças portadoras de deficiências físicas ou mentais eram consideradas subumanas, o que legitimava sua eliminação ou abandono. Já a bíblia traz referências ao cego, ao manco e ao leproso.

No ponto de vista da história, há relatos de ingerência contributiva da Deficiência física na Reforma Protestante e na Revolução Burguesa. Há de se ressaltar que foi a partir da doutrina cristã que as pessoas deficientes não podiam ser mais exterminadas, já que eram vistas como criaturas de Deus.

Atualmente, podemos dizer que de lá para cá muitas coisas mudaram de forma positiva. Em especial no campo da ciência. Todavia, a deficiência é vista como uma condição estigmatizante a qual se refere a uma série de condições que limitam biológica, psicológica ou socialmente a vida de uma pessoa ao longo de seu desenvolvimento.

Além disso, é marcada com uma diferença a partir de um julgamento social de desvantagem social colocado em função de um padrão “pré estabelecido” pela sociedade de “normalidade”.

Por outro lado, há de se ressaltar a falta de políticas públicas do atual governo para os portadores de deficiências. Inexistem programas sociais expressivos objetivando a inserção dessas pessoas na sociedade. De nada adianta haver avanços científicos se o atraso reluta em persistir.

Convém citar um trecho do livro “Deficiência e não deficiência: recortes do mesmo tecido” do professor Sadao Omote:

“A deficiência não é algo que emerge com o nascimento de alguém ou com a enfermidade que alguém contrai, mas é produzida e mantida por um grupo social na medida que interpreta e trata como desvantagens certas diferenças apresentadas por determinadas pessoas. Assim, as deficiências devem, a nosso ver, ser encaradas também como decorrentes de modelos de funcionamento do próprio grupo social e não apenas como atributos inerentes às pessoas identificadas como deficientes. A deficiência e a não deficiência fazem parte do mesmo quadro.”  

Portanto, à luz desta luta secular de inclusão e precipuamente de avanços científicos, devemos dar a nossa módica, porém valorosa parcela de contribuição, respeitando e incentivando pessoas com deficiência física a seguirem em frente na busca dos seus objetivos. Na busca desta belíssima e admirável superação. E a seguirem seus caminhos com dignidade e igualdade.  


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