Moïse Mugenyi Kabagambe e a díspar atuação do Estado.

Quando um pequeno comerciante torna-se inadimplente fiscal, órgãos fazendários municipais e estaduais tem o hábito de "lacrar" o estabelecimento. Uma forma inconstitucional e constrangedora de intimar o Contribuinte a pagar "o que deve". Por outro lado, quando um cidadão consegue um espaço público para desenvolver atividade econômica, tornando-se permissionário sobre a coisa, e comete um crime bárbaro movente por questões trabalhistas ou frívolas, o mesmo responderá em liberdade ou preso, com a possibilidade de perder a licença de exploração do espaço. No entanto, em razão das daninhezas "brechas", é possível reaver a licença utilizando terceiros com CNPJ dissímil, o que não acarreta óbice no continuísmo da atividade econômica explorada e a colheita dos seus frutos ou "lucros". Ou seja, limpa-se o sangue, vira a página e vida que segue. Enquanto uns são constrangidos, cerceados a trabalhar, outros são agraciados pela "lei" e em alguns casos protegidos por políticos. O paradoxo acima é um mero intróito sobre o quão díspar é a atuação do Estado em paralelos não muito divergentes. O cerne da questão é subjetiva. A pessoa. Quem é a pessoa? Neste fatídico e horrorífico caso envolvendo o Congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, morto covardemente em um quiosque na Barra da Tijuca, resta escancarado que o fator "pessoa" está influenciando o "iter criminis". Mas, por que há essa interferência? Por qual fundamento decretar sigilo? A resposta é curta. Porém, eivada de enxovalho e perplexidade. É uma altercação de interesses recônditos em detrimento dos princípios ético moral que regem o sistema de segurança Pública. Trata-se de barganha. A relação escusa entre Estado e poderes paralelos. Políticos e milícias. Favorecimento. Esta relação, tem como esteio a extensão do monopólio da violência legal "chancelada" pelo Estado à grupos que usa a coação física meio para facilitar a captação de votos para politícos. Tal coação exercida pelos grupos de poder sobre os demais tem a precípua finalidade de preservar privilégios e manter a dominação. Deste modo, é vantajoso para o político se unir à grupos que exercem um certo controle social em permuta de favorecimento e de proteção. A "anomia e o poder" nunca caminharam tão juntas no atual cenário político Brasileiro. Isso é nítido. É prefácio da cartilha Bolsonarista. Por fim, quiçá essa ojeriza e promíscua relação seja o alimentário da morosidade investigativa acerca do assassinato da Vereadora Marielle Franco. Ou esteja sendo usada como "fundamentação" para a decretação de "sigilo investigatório" sobre a absurda morte de um jovem negro trabalhador chamado Moïse Mugenyi Kabagamben que só queria receber o que era seu por direito. Pois é Merton, a sua teoria nunca esteve tão ávida em tempos atuais... #justicapormoïsemugenyi

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